A Advocacia-Geral da União teve autorizado um concurso com 170 vagas para suas carreiras jurídicas — e, pela primeira vez na história, as quatro carreiras serão selecionadas em um único certame. O anúncio foi feito pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, na noite de 2 de julho, em vídeo conjunto com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e a portaria autorizativa saiu no Diário Oficial em seguida.
A distribuição: 50 vagas para Advogado da União, 50 para Procurador da Fazenda Nacional, 50 para Procurador Federal e 20 para Procurador do Banco Central. A remuneração inicial das quatro carreiras é de R$ 28 mil, podendo ultrapassar R$ 46 mil no topo. Mais do que os números, o que muda o jogo é o formato: um concurso pioneiro, com etapas e cronograma unificados, cujo desenho está a cargo de um grupo de trabalho recém-instituído.
Órgão: Advocacia-Geral da União (4 carreiras)
Vagas: 170 (50 AU + 50 PFN + 50 PF + 20 Procurador do BACEN)
Situação: autorizado — anúncio em 02/07, portaria no DOU de 03/07/2026
Prazo do edital: até janeiro de 2027
Remuneração: R$ 28 mil iniciais; acima de R$ 46 mil no topo
Requisitos: graduação em Direito, inscrição na OAB e 2 anos de prática forense
Último concurso: editais de 2022, provas em 2023, 300 vagas, Cebraspe
O contexto do anúncio
A autorização da AGU fechou a semana mais movimentada do ano para os concursos federais: com ela, o pacote autorizado pelo governo chegou a 596 vagas, somando CGU (60), ANPD (50), Receita Federal (146) e Banco Central (170). O timing não é acidental — o governo correu para publicar as portarias antes do início do período eleitoral. Para a AGU, o certame repõe quadros três anos depois do último ciclo: os editais de 2022 ofertaram 300 vagas, 100 para cada uma das três carreiras então contempladas, com provas aplicadas em 2023 pelo Cebraspe.
O que significa um concurso unificado de quatro carreiras
Nos certames anteriores, cada carreira tinha edital, inscrição e prova próprios — quem quisesse disputar Advogado da União e Procurador da Fazenda pagava duas taxas e fazia duas maratonas de prova. O modelo unificado muda a lógica: etapas e cronograma comuns, com definição posterior de como se dará a opção por carreira. Nos editais de 2022, as provas objetivas cobraram blocos de disciplinas com pesos distintos por carreira — Direito Tributário dominava a prova da PFN (34 questões no primeiro grupo), enquanto Constitucional e Administrativo pesavam mais para Advogado da União e Procurador Federal. Como o novo formato acomodará essas diferenças é exatamente o que o grupo de trabalho vai decidir — e é a informação mais importante que ainda não existe.
A leitura para quem vem da advocacia
Este é um concurso talhado para o profissional que já está no mercado jurídico: o requisito de dois anos de prática forense e inscrição na OAB naturalmente filtra o perfil. Para advogados com carreira consolidada que avaliam a migração para o serviço público, a combinação de inicial próximo de R$ 28 mil, teto acima de R$ 46 mil e a rara oportunidade de quatro carreiras em um único certame torna este um dos eventos mais relevantes da década na advocacia pública federal. Vale registrar: a última seleção para Procurador do Banco Central ocorreu em 2013, com apenas 15 vagas — há uma geração inteira de juristas que nunca teve essa porta aberta.
Pontos de atenção
O formato unificado é inédito, e ineditismo significa incerteza: não há prova anterior "do mesmo concurso" para calibrar preparação, e as regras de opção por carreira podem afetar decisivamente a estratégia de inscrição. A banca ainda não foi contratada — o histórico recente aponta para o Cebraspe, mas isso é inferência, não fato. E o prazo de edital vai até janeiro de 2027; contas de cronograma feitas hoje são chute. Por fim, quem mira a PFN deve acompanhar se o peso histórico de Tributário será mantido no novo desenho.
O que fazer agora
O movimento sensato é acompanhar as entregas do grupo de trabalho da AGU — formato, regras de opção e banca — antes de qualquer decisão definitiva de carreira. Evite fechar sua escolha entre AU, PFN e PF com base apenas em remuneração, que é idêntica: as atribuições e o contencioso de cada carreira são muito diferentes no dia a dia. O plano de preparação específico depende do seu ponto de partida e exige acompanhamento individualizado.
Na Mentoria Alto Nível, as carreiras da advocacia pública são acompanhadas por Thiago Farias — Procurador do Estado de São Paulo. Conheça a Mentoria ou fale com a equipe pelo WhatsApp.