A Controladoria-Geral da União publicou, no Diário Oficial de 9 de outubro, o Edital CGU nº 1/2026, do concurso para Auditor Federal de Finanças e Controle. São 60 vagas imediatas mais cadastro de reserva, subsídio inicial de R$ 20.000,00, banca Cebraspe e taxa de R$ 170. As inscrições vão de 10 de outubro a 4 de novembro, e as provas objetivas e a discursiva acontecem no mesmo dia, 13 de dezembro de 2026, nas 27 capitais.
Quem acompanhava o concurso esperava o edital perto do prazo-limite de 24 de dezembro, com prova só em 2027. O edital saiu 76 dias antes desse teto e a prova ficou 65 dias depois da publicação. Além do calendário, o documento traz uma surpresa de conteúdo: o programa não tem Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Direito Constitucional nem Direito Administrativo como disciplinas. Os dois pontos mudam a leitura do concurso, e os dois estão detalhados abaixo.
Dados do edital
Edital: CGU nº 1, de 8 de outubro de 2026 (DOU de 09/10/2026, seção 3, p. 155), com base na Portaria MGI nº 5.093, de 22 de junho de 2026
Cargo: Auditor Federal de Finanças e Controle (AFFC), nível superior em qualquer área de formação
Subsídio inicial: R$ 20.000,00, classe A, padrão I, jornada de 40 horas semanais
Vagas imediatas: 60, mais cadastro de reserva
Cargo 1, Auditoria: 30 vagas (20 em Brasília; 2 em cada uma das unidades regionais do AC, AP, MT, RO e RR)
Cargos 2, 3 e 4, Tecnologia da Informação: 10 vagas cada, todas em Brasília (Ciência de Dados, Infraestrutura de TI e Desenvolvimento de Sistemas)
Reservas nas 60 vagas: 34 ampla concorrência, 4 PcD, 19 pretos e pardos, 2 indígenas, 1 quilombola
Banca: Cebraspe
Inscrições: 10/10 a 4/11/2026, das 10h do primeiro dia às 18h do último, em cebraspe.org.br/concursos/cgu_26_affc
Taxa: R$ 170, paga por GRU Cobrança no PagTesouro, exclusivamente por Pix, até 6/11
Isenção: pedidos de 10 a 16/10
Provas: 13/12/2026; objetiva de manhã (5 horas, 170 itens certo/errado, 260 pontos) e discursiva à tarde (3h30, 100 pontos)
Divulgação dos locais de prova: 2/12/2026
Resultado final do concurso: 15/4/2027 (previsto)
Validade: dois anos a partir da homologação, prorrogável uma vez por igual período
Como o edital chegou até aqui
A autorização veio pela Portaria MGI nº 5.093, de 22 de junho, publicada no Diário Oficial em 24 de junho. De lá para cá, a equipe de contratação da banca foi formada em 11 de agosto, o orçamento foi aprovado em 25 de agosto e o contrato com o Cebraspe foi assinado em 29 de setembro, por R$ 3.822.556,86. O extrato saiu em 1º de outubro. O edital foi assinado em 8 de outubro, sete dias depois, e publicado em 9 de outubro, 107 dias depois da autorização.
Essa sequência mostra que o limite de seis meses para publicar o edital funciona como teto e não como data. Quem estava planejando em cima de dezembro, e de uma prova em fevereiro ou março de 2027, acordou com a prova marcada para daqui a dois meses. O espaço entre o fim das inscrições (4 de novembro) e a prova (13 de dezembro) é de 39 dias.
As 60 vagas por dentro
O quadro do item 4.1 do edital é mais detalhado do que qualquer resumo. Em Auditoria, as 20 vagas de Brasília se dividem em 11 de ampla concorrência, 1 para pessoa com deficiência, 5 para pretos e pardos, 2 para indígenas e 1 para quilombola. Cada uma das cinco unidades regionais (AC, AP, MT, RO e RR) tem 2 vagas imediatas, uma de ampla concorrência e uma para pretos e pardos, e não tem provimento imediato nas demais modalidades, que ficam apenas em cadastro de reserva. Em cada uma das três especialidades de TI, as 10 vagas são 6 de ampla concorrência, 1 PcD e 3 para pretos e pardos.
Somando tudo, a ampla concorrência fica com 34 das 60 vagas, o que dá 57%. As reservas nominais são de 5% para pessoas com deficiência e 30% para pretos e pardos (25%), indígenas (3%) e quilombolas (2%), mas o arredondamento aplicado a cada lotação leva as vagas reservadas a 26, ou 43% do total. Algumas coberturas anteriores falavam em 20% de reserva ou em distribuições diferentes (39 de ampla, por exemplo). O quadro do edital fecha em 34, 4, 19, 2 e 1.
O edital também fixa o limite de aprovados no concurso, em linha com o Decreto nº 9.739/2019: 81 em Auditoria em Brasília, 25 em cada unidade regional e 54 em cada especialidade de TI. Isso dá 368 aprovados no máximo para 60 vagas imediatas, ou cerca de 6 aprovados por vaga. Quem ficar fora desse limite está reprovado, mesmo com nota acima dos mínimos.
Um detalhe que vale conhecer: pelo item 13.14, as vagas de uma especialidade que não forem preenchidas podem ser providas por aprovados de outra, respeitadas a proporcionalidade inicial, a ordem de classificação e a lotação indicada na inscrição. Os aprovados além das vagas imediatas podem ser nomeados durante a validade, conforme conveniência da CGU e desde que haja dotação orçamentária e cargo vago.
A prova objetiva: nota líquida e quatro mínimos
A objetiva tem 170 itens no formato certo/errado, divididos em três provas: P1 com 40 itens de conhecimentos básicos, P2 com 40 de conhecimentos complementares e P3 com 90 de conhecimentos específicos. Cada item de P1 e de P2 vale 1 ponto; cada item de P3 vale 2 pontos. O total é de 40 + 40 + 180 = 260 pontos.
O ponto que muda a leitura é o critério de correção do item 8.11.2: acerto soma, erro subtrai o mesmo valor e item em branco ou com marcação dupla vale zero. A nota de cada prova é líquida. Em P3, cada erro tira 2 pontos, e a prova específica pesa 180 dos 260 pontos, ou 69% da objetiva.
Para ser aprovado, o candidato precisa de quatro mínimos ao mesmo tempo: pelo menos 8 pontos em P1 (20% da prova), 12 em P2 (30%), 54 em P3 (30%) e 78 na soma das três (30% do total). Falhar em qualquer um elimina, sem classificação. Passar dos mínimos, por si só, não garante nada, porque depois entra o corte por classificação.
Esse corte é o limite de quem tem a discursiva corrigida. Para a ampla concorrência, vale 6 candidatos por vaga imediata: 66 em Auditoria em Brasília (11 vagas), 36 em cada especialidade de TI (6 vagas) e 10 em cada unidade regional, que tem só 1 vaga de ampla e por isso fica com o piso de 10. O quadro do edital repete o mesmo número para cada modalidade de reserva (PcD, pretos e pardos, indígenas e quilombolas). Candidato que não entra nesse corte tem a discursiva sequer corrigida e fica eliminado.
O programa: sem Português, sem Inglês, sem as disciplinas jurídicas clássicas
O conteúdo programático do item 15 foi reescrito do zero. Em P1, os conhecimentos básicos têm quatro blocos: Estado, democracia, direitos e ciência política; sociedade brasileira, desigualdades, diversidade e desenvolvimento; ética pública e responsabilidade profissional; e administração pública e fundamentos de políticas públicas. Não aparecem Língua Portuguesa nem Língua Inglesa, e a língua só entra como critério de avaliação na discursiva.
Em P2, os conhecimentos complementares têm cinco blocos: governança, riscos e integridade pública e privada; transparência, ouvidoria e participação social; direito público aplicado, controle e responsabilização; evidências, dados e inteligência artificial; e fundamentos de auditoria governamental e atuação integrada da CGU. O edital não traz Direito Constitucional nem Direito Administrativo como disciplinas. O que há de direito público está dentro do bloco de direito público aplicado (decisão administrativa, processo e garantias, responsabilização de agentes e de pessoas jurídicas, acordo de leniência) e em P1.
Em P3, o conteúdo depende da especialidade. Auditoria tem cinco blocos: auditoria governamental (avaliação, consultoria e apuração); finanças públicas, orçamento e contabilidade pública; políticas públicas e métodos de investigação e avaliação; auditoria de contratações, transferências e execução de recursos; e integridade, transparência e responsabilização aplicadas ao controle público. Ciência de Dados cobra estatística, programação e análise de dados, engenharia e governança de dados, aprendizado de máquina e IA, e operação e governança de soluções de dados e IA. Infraestrutura de TI cobra redes, nuvem e automação, cibersegurança e privacidade, e operação de serviços digitais. Desenvolvimento de Sistemas cobra engenharia de software, arquitetura e integração, persistência e proteção de dados, e desenvolvimento seguro e gestão da entrega.
Outro dado do edital: o item 15.1.1 diz que as provas poderão avaliar habilidades além do conhecimento memorizado, como compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. O texto do programa é todo escrito em torno de distinções conceituais (por exemplo, indício, falha de gestão, irregularidade e responsabilidade), o que combina com essa orientação.
A discursiva vale metade da nota final
A discursiva vale 100 pontos e tem duas partes: uma questão de conhecimentos complementares, de até 30 linhas e 30 pontos, e uma situação-problema da especialidade, de até 60 linhas e 70 pontos. O texto é manuscrito, com caneta preta de material transparente, e o espaço de identificação não pode ter nenhuma marca, sob pena de anulação.
Cada texto passa por duas avaliações: conteúdo e domínio da modalidade escrita. O conteúdo é avaliado por pelo menos dois examinadores, e a nota é a média de duas notas convergentes (diferença de até 25% da nota máxima). Se divergirem mais que isso, há uma terceira correção, e a nota passa a ser a média das duas mais próximas.
Nota final, desempate e classificação
Na prática, objetiva e discursiva têm o mesmo peso na classificação, apesar de a objetiva ter 2,6 vezes mais pontos brutos.
O desempate segue uma ordem fixa: idade igual ou superior a 60 anos até o último dia de inscrição; maior nota em P3; maior número de acertos em P3; maior nota em P2; maior número de acertos em P2; maior nota na discursiva; maior número de acertos em P1; maior idade; e, por fim, ter exercido a função de jurado. Para que esses critérios possam ser aplicados, o candidato deve enviar, durante o período de inscrição, a imagem da certidão de nascimento (para conferir o horário do nascimento) e, se for o caso, o comprovante de exercício da função de jurado.
Aprovação adicional de mulheres
O item 8.11.5.2 aplica o Programa Federal de Ações Afirmativas. Depois do corte da objetiva, sempre que o percentual de mulheres entre os aprovados for inferior a 50% em um cargo, especialidade, lotação e modalidade de concorrência, serão aprovadas adicionalmente as candidatas mais bem classificadas até igualar os percentuais, desde que não tenham sido eliminadas pelos mínimos. Nenhum homem já aprovado é desclassificado. O dado de gênero considerado é o do registro civil informado na inscrição.
O cronograma completo, de dezembro a abril
A prova é em 13 de dezembro. Os gabaritos preliminares saem a partir das 19h de 15 de dezembro, e o padrão preliminar da discursiva sai no mesmo dia 15. Os recursos correm em 16 e 17 de dezembro. O resultado final da objetiva e o provisório da etapa documental de caracterização da deficiência saem em 14 de janeiro de 2027, 32 dias depois da prova.
Entre fevereiro e março ocorrem as etapas de confirmação: a verificação documental de indígenas e quilombolas (envio de documentos em 11 e 12 de fevereiro), e a caracterização presencial da deficiência e a confirmação da autodeclaração de pretos e pardos, as duas em 21 de fevereiro. O resultado provisório da discursiva só chega em 23 de março, ou seja, 100 dias depois da prova, com recursos em 24 e 25 de março. O resultado final do concurso está previsto para 15 de abril de 2027, 123 dias depois da prova.
Isso significa que o candidato só vai saber se a discursiva foi corrigida, e quanto tirou, mais de três meses depois de fazer a prova. O próprio edital avisa, em nota do cronograma, que as datas são passíveis de alteração por conveniência da CGU e do Cebraspe, com comunicação prévia por edital.
Inscrição, taxa e isenção: o que o edital exige
A inscrição é só pela internet, e cada CPF pode ter apenas uma. No sistema, o candidato escolhe o cargo e a especialidade, a lotação e a cidade de prova, e pode mudar essas opções até o fim do período. Depois do encerramento, as inscrições pagas ou isentas são efetivadas e não podem mais ser alteradas. A taxa de R$ 170 é paga por GRU Cobrança, e o edital aceita exclusivamente Pix pelo PagTesouro, sem outra forma de pagamento. A compensação precisa ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao dia 6 de novembro.
A isenção total vale para quem se enquadra no Decreto nº 6.593/2008 e no Decreto nº 11.016/2022 (CadÚnico, com os critérios de renda do Anexo III) ou na Lei nº 13.656/2018 (doadores de medula óssea). O pedido vai de 10 a 16 de outubro, a situação provisória sai de 26 a 28 de outubro, os recursos correm em 27 e 28 de outubro, e a situação final é divulgada em 4 de novembro. O prazo de pagamento da taxa vai até 6 de novembro, dois dias depois do resultado final da isenção, o que deixa pouca folga para quem tiver o pedido negado.
Nomeação, posse e os primeiros anos de carreira
A nomeação segue a ordem de classificação, com alternância e proporcionalidade entre ampla concorrência e vagas reservadas. Na posse, o candidato apresenta, às suas custas, certidões criminais das Justiças Federal, Estadual, Militar e Eleitoral dos locais onde residiu nos últimos cinco anos, folhas de antecedentes da Polícia Federal e das polícias estaduais, declarações sobre vínculos e penalidades anteriores, acesso a dados de bens e rendas e avaliação médica admissional. O edital não traz sindicância de vida pregressa nem prova de títulos como etapas do concurso, e os antecedentes entram como exigência da posse.
Dois itens do edital pesam na decisão de quem pensa em vir de outra carreira. O item 13.12 submete os empossados ao Programa de Gestão de Demandas em regime presencial integral no primeiro ano de estágio probatório. O item 13.13 estabelece que quem tomar posse não será removido por motivo de remoção a pedido, a critério da Administração (art. 36, parágrafo único, II, da Lei 8.112/1990), pelo prazo de cinco anos. Para quem escolhe uma lotação regional, isso significa que a escolha da inscrição pode durar bastante.
Leitura do cenário: o tamanho do concurso e o perfil de quem concorre
Em 30 de abril, a CGU acumulava 1.246 cargos vagos de auditor. As 60 vagas do edital correspondem a 4,8% desse número. O concurso anterior, de dezembro de 2021, organizado pela FGV, teve 375 vagas somando auditores e técnicos, 300 de auditor segundo uma cobertura de fonte única. Se esse número se confirmar, a oferta de vagas de auditor caiu 80% entre as duas edições. Número de inscritos do concurso anterior que circula (65.579) também vem de fonte única e deve ser lido só como ordem de grandeza.
O subsídio de R$ 20.000,00 fica 32,7% abaixo do inicial de Defensor Público de SP (R$ 29.716,00, edital também desta semana) e 47% abaixo do de Promotor do MP RJ (R$ 37.765,53). São carreiras com regimes e exigências diferentes, e a comparação serve para posicionar a CGU: entrada menor, requisito de ingresso mais aberto (qualquer graduação, sem exigência de atividade jurídica) e um programa focado em controle, governança, dados e auditoria.
Pontos de atenção
O primeiro é a nota líquida: em prova de certo/errado com penalização, o resultado de quem arrisca não se parece com o de quem só acerta. Leia o item 8.11.2 antes de interpretar qualquer simulado ou resultado de edição anterior da banca, porque as regras mudam de edital para edital.
O segundo é a data de 13 de dezembro, que cai no mesmo domingo de outras provas que acompanhamos, como Sefaz SP e TJ RS, segundo nossa cobertura anterior. Quem pensa em mais de um desses concursos já tem o conflito dado.
O terceiro é o prazo de pagamento, que só aceita Pix, e o de envio de documentos: certidão de nascimento para desempate, laudo e documentação de reserva dentro do período de inscrição, e foto com novo envio entre 5 e 6 de novembro, se for recusada. O edital avisa que documento ilegível pode ser rejeitado sem substituição.
O quarto é a escolha da lotação e da especialidade, que define a concorrência, a cidade de prova e a lotação para os próximos cinco anos.
O quinto é o cronograma: com uma discursiva que só terá resultado provisório em março, qualquer retificação posterior tem peso grande sobre quem está esperando.
O que fazer agora
Leia o edital inteiro, com atenção aos itens 8.11 (pontuação e mínimos), 9.7 (discursiva), 11 (nota final), 12 (desempate) e 15 (programa), e confira prazos de inscrição, pagamento e envio de documentos antes de se inscrever. Acompanhe retificações pelo site do Cebraspe e pelo Diário Oficial. Evite decidir a especialidade ou gastar com preparação específica antes de ler o texto oficial. O plano de cada pessoa para este concurso depende da base, da rotina e do tempo até dezembro, e exige conversa individual.
Na Mentoria Alto Nível, o Paulo Guimarães, Auditor Federal de Finanças e Controle (CGU) e criador do Método M3H, conhece de dentro a carreira e o trabalho que esse concurso seleciona. Conheça a Mentoria ou fale com a equipe pelo WhatsApp.
