O concurso da Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas deu dois passos no mesmo dia. Em 12 de agosto de 2026, o Comitê de Programação Orçamentária e Financeira (CPOF) aprovou a contratação da banca e, na mesma deliberação, dobrou a oferta do certame: de 50 vagas anunciadas em novembro de 2025 para 100 vagas, sendo 40 de provimento imediato e 60 em cadastro de reserva. O órgão confirmou o Cebraspe como banca organizadora.

O detalhe que muda o desenho da prova não é o número de vagas. É que o cargo em disputa não existe mais na forma antiga. A Lei estadual nº 9.945/2026, sancionada em 17 de junho, unificou as carreiras de Auditor Fiscal da Receita e Auditor de Finanças e Arrecadação num único cargo, o Auditor Fiscal da Administração Tributária Estadual (AFTE). Quem estudou o edital de 2021 esperando duas trilhas separadas precisa refazer a leitura, porque o programa da prova tende a acompanhar a nova atribuição consolidada.

Os dados do certame

Órgão: Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas
Cargo: Auditor Fiscal da Administração Tributária Estadual (AFTE)
Banca: Cebraspe (confirmada pelo órgão)
Vagas: 100, sendo 40 imediatas e 60 em cadastro de reserva
Escolaridade: nível superior em qualquer área de formação
Quadro efetivo criado pela Lei nº 9.945/2026: 450 cargos
Vencimento por padrão: de R$ 3.000,00 (Padrão I) a R$ 10.000,00 (Padrão VIII), mais adicionais e prêmio de produtividade fiscal
Estágio probatório: 3 anos
Último concurso: 2021, Cebraspe, 35 vagas, validade expirada em julho de 2023
Situação em 12/08: banca definida, edital ainda não publicado

Por que a oferta dobrou agora

A linha do tempo desse certame ajuda a entender o mecanismo. O concurso entrou no radar em agosto de 2025, foi anunciado pelo governador em outubro do mesmo ano, teve 50 vagas mencionadas em novembro, ganhou previsão de edital a partir de junho de 2026, teve a banca confirmada pela Sefaz em redes sociais em 3 de junho, viu a lei de reestruturação sancionada em 17 de junho e só agora, em 12 de agosto, teve a deliberação orçamentária que autoriza a contratação e fixa o número final. Repare na ordem: a lei que cria o quadro de 450 cargos veio antes da deliberação que define quantos serão providos. É assim que funciona na prática. Primeiro se cria o cargo em lei, depois se aprova o custeio, e só então o edital consegue sair. A própria lei traz uma regra que interessa a quem pensa em ciclos futuros: havendo vacância acima de 5% dos cargos, cerca de 22 posições, o estado poderá realizar novo concurso para preencher as vagas existentes. Isso institucionaliza um gatilho de recomposição que hoje depende de decisão política pontual.

O que a prova de 2021 revela sobre o que vem por aí

Sem edital publicado, o documento mais próximo que existe é o certame anterior, e ele é bastante informativo. Em 2021 a objetiva teve 160 questões no modelo certo ou errado, com 4h30 de duração, distribuídas em 100 de conhecimentos básicos e 60 de específicos. Nos básicos, a distribuição foi: Direito Tributário 25, Tecnologia da Informação 15, Direito Administrativo 10, Direito Constitucional 10, Contabilidade Geral 10, Língua Portuguesa 5, Direito Empresarial 5, Direito Civil 5, Direito Penal 5, Contabilidade de Custos 5 e Raciocínio Lógico 5. Nos específicos de Auditor Fiscal, Legislação Tributária 30 e Auditoria Fiscal 30. A discursiva teve 3 horas e 50 pontos, com dois estudos de caso de 25 pontos cada, em até 30 linhas, sobre os conhecimentos específicos. Some Direito Tributário, Legislação Tributária e Auditoria Fiscal e você tem 85 das 160 questões, mais de metade da prova, concentradas no núcleo tributário. É um dado que precisa ser conferido contra o novo edital, porque a unificação dos cargos pode redistribuir esse peso, sobretudo em Tecnologia da Informação, que na estrutura antiga carregava o cargo de Auditor de Finanças com 48 questões específicas.

A concorrência real do último ciclo

Em 2021 o certame teve 6.197 inscritos para 35 vagas. Divididos por cargo, os números foram bem diferentes entre si: Auditor Fiscal da Receita Estadual recebeu 5.746 inscritos para 25 vagas, resultando em cerca de 45 candidatos por vaga, enquanto Auditor de Finanças, Controle e Arrecadação teve apenas 451 inscritos para 10 vagas, com relação em torno de 45 também quando se olha o dado consolidado divulgado pela banca. A abstenção registrada foi de 38,79%, número alto e comum em provas fiscais estaduais. As notas de corte do último ciclo, sobre um total de 380 pontos com pesos 1, 3 e 2, ficaram em 298,52 para Auditor Fiscal na ampla concorrência, o que corresponde a 78,55% de aproveitamento, e em 183,77 para Auditor de Finanças, 48,36%. Essa distância entre os dois cortes é o dado mais interessante do histórico, e é justamente o tipo de assimetria que a unificação de carreiras tende a eliminar.

Pontos de atenção

Três ressalvas importam aqui. A primeira: o edital ainda não saiu. Banca definida e vagas aprovadas em comitê não equivalem a edital publicado, e cronograma, disciplinas, pesos e critérios de classificação só existem oficialmente quando o documento é divulgado. A segunda: a remuneração precisa ser lida com cuidado. O vencimento básico do Padrão I é de R$ 3.000,00, e o valor cheio da carreira depende do prêmio de produtividade fiscal, do adicional de transporte e alimentação e dos adicionais por tempo de serviço. Comparações apressadas com o edital de 2021, que trazia R$ 9.899,81, ou com números de portais de transparência, misturam parcelas de naturezas diferentes. A terceira: as fontes ainda divergem em pontos secundários. A própria ficha técnica ao pé da matéria do Estratégia seguia indicando "25 + 25 CR" no fechamento desta apuração, dado desatualizado em relação ao corpo do texto e à deliberação do CPOF. Vale conferir o número no ato oficial antes de repetir.

Comparação com o pipeline fiscal estadual

Alagoas entra numa fila que ficou cheia de uma hora para outra. A Bahia trabalha com 200 vagas imediatas divididas entre Auditor Fiscal e Agente de Tributos, com banca ainda em definição e edital previsto entre setembro e outubro. Santa Catarina assinou contrato com a FCC no fim de julho. O Ceará já aplicou provas em agosto, com mais de 21 mil inscritos. O Distrito Federal segue com minuta em revisão interna. Nesse conjunto, o diferencial de Alagoas é o requisito de formação: nível superior em qualquer área, sem exigência de curso específico, o que amplia bastante o universo de candidatos elegíveis e costuma pressionar a relação candidato por vaga para cima. Vale ter isso em conta ao ler o número de 40 vagas imediatas.

O que fazer agora

O que convém acompanhar é objetivo: a publicação do extrato de contrato com a banca e, na sequência, o edital com o conteúdo programático da carreira unificada. Enquanto isso não sai, a comparação entre o programa de 2021 e o texto da Lei nº 9.945/2026 é o que existe de mais concreto sobre o desenho do cargo.

O que evitar é decidir carreira pela manchete do número de vagas. Cem vagas com 60 em cadastro de reserva e requisito aberto de formação produzem um cenário competitivo bem diferente do que o título sugere, e a escolha entre os fiscos estaduais que estão abrindo agora depende de variáveis pessoais que nenhum panorama geral consegue considerar.

Na Mentoria Alto Nível, a comparação entre certames fiscais que abrem na mesma janela é feita caso a caso, porque escolher entre dois editais quase simultâneos é uma decisão de estratégia, não de preferência. Conheça a Mentoria ou fale com a equipe pelo WhatsApp.